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Teologia da retribuição ? Deus ou investimento de renda fixa? - Por Emmir Nogueira do Shalom

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 | 15:53






A teologia retributiva diz que todo sofrimento é resultado de algum pecado. Elifaz, Bildade e Zofar, os amigos de Jó, enquanto se assentaram calados estavam corretos. Mas, quando começaram a falar afirmaram erroneamente: Se Jó sofre, é porque cometeu algum pecado grave.




Alguém disse que os amigos de Jó estavam “mais preocupados em salvar a doutrina da retribuição do que em sofrer junto com Jó”.



Entretanto, quando Deus responde, ele não o faz para explicar a razão do sofrimento, mas onde nossa esperança deve descansar em meio ao sofrimento.No texto base da meditação, Jó amadurecido diante das respostas de Deus, faz afirmações que podem abrilhantar a nossa fé e nos aproximar daquele em quem podemos descansar nossos anseios e sofrimentos:

A Soberania de Deus (vs.2-3)


Primeiramente Jó afirma a soberania divina, mesmo sem compreender seu agir. Ele diz no v.2:


“Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”


A palavra ‘sei’ no original significa ‘compreender’. Assim Jó entende que ele não compreendeu.Isso porque no v.3, lemos: 



“Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento? Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.”



Frente à grandiosa soberania divina, Jó apresenta sua incompetência de compreensão. O final do v.3 poderia até ser traduzido assim: 


“Eu não entendia aquele que faz maravilhas diante de mim, e não compreenderei jamais a sua lógica...”



O Conselho de Deus (v.4)


Agora, Jó afirma estar pronto não mais para perguntar, mas para aprender. No v.4, Jó cita as palavras de Deus para ele: “Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá.”Jó jogou fora o espírito inquiridor, que falava e perguntava coisas sem sentido, e o substituiu por um coração quebrantado, disposto a ser ensinado pelo Senhor.Por mais que o caminho no qual trilhamos seja obscuro, e de imediato não consigamos ver o seu fim, precisamos nos apegar nas mãos do nosso Pai, e confiar na direção Dele, tal qual uma criança que confia piamente na segurança das mãos de seus pais.


A manifestação de Deus (v.5)


Jó afirma ter uma nova percepção de Deus. Quando estava nas cinzas, Jó desejou ver Deus (Jó 19,25-26). Entretanto, agora ele pode dizer com segurança no v.5:


“Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram...”Veja que Jó não precisou receber tudo de volta para enxergar a manifestação de Deus. Ele ainda estava nas cinzas, mas seus olhos viam a Deus. Sua restauração só aconteceria depois (Jó 42,10-17). Ele ainda sentia a dor física; suas feridas ainda estavam abertas. Ele ainda estava abandonado por seus amigos e sofria a discriminação de pessoas que feriam seu emocional. Mesmo assim, ele pôde dizer: agora eu vejo a Deus! Não devemos esperar a reabilitação para sentirmos a manifestação de Deus em nossas vidas. Deus está conosco em meio ao sofrimento.



A graça de Deus (v.6)


Finalmente, Jó afirma estar arrependido: “Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.” (v.6).É importante entender que Jó não se arrependeu de nenhum pecado, mas abandonou seu juramento firme de inocência, parou de advogar em causa própria contra Deus. Agora já não são mais dois oponentes. Jó se afasta da beira da arrogância. A reconciliação está a caminho.É evidente que a graça conforme Jesus manifestaria em sua vinda estava muito longe de acontecer. Porém, foi a graça de Deus que acompanhou Jó durante sua história e é a mesma graça que quer nos conduzir a um relacionamento íntimo com o Senhor, despido de qualquer interesse nosso para com Ele.






Deus ou investimento de renda fixa?



Ultimamente, tenho ficado impressionada com uma certa atitude conhecida por alguns como “teoria” ou mesmo “teologia retributiva” no relacionamento com Deus, também entre os católicos. A cada pregação, nos mais diversos locais do Brasil – nos outros países não sinto tão forte este fenômeno – alguém apresenta, de uma forma ou de outra, a seguinte pergunta: “Mas porque aconteceu isso comigo se eu procuro fazer tudo o que Deus quer?” e, a seguir, descreve como vai à missa e reza o terço diariamente, como socorre os pobres, como vai regularmente às reuniões da paróquia, como se confessa uma vez por mês, etc.



Outros, que enfrentam, como a quase totalidade dos brasileiros, desafios financeiros, colocam as coisas mais claramente:


“Mas, porque é que eu estou com dificuldades se eu sou fiel ao dízimo todos os meses? A Bíblia não promete que se eu for fiel ao tributo do templo Deus vai ser fiel a mim?”


Há ainda aqueles que, servindo a Deus com alegria e fidelidade na paróquia, grupos, encontros, comunidades, espantam-se e sentem-se inseguros quando morre um parente, a filha solteira engravida, o filho entra na droga, o cônjuge adultera, os familiares abandonam a Igreja:


“Mas eu cuidei das coisas de Deus confiando que ele cuidaria das minhas! Como é que isso pode ter acontecido?” Ao grupo de decepcionados com as “atitudes” de Deus, somam-se os que exclamam, ressentidos: “Mas eu entreguei toda a minha vida a Deus! Consagrei-me a Ele! Por que Ele não me liberta deste pecado? Por que ainda tenho este vício? Por que ainda convivo com esta fobia? Por que continuo deprimido? O que me falta ainda dar a Deus? Você acha que é minha pouca fé?”



Cada vez que ouço algo parecido me vem uma lembrança e uma perplexidade. A lembrança é a de Maria, aos pés da cruz de Jesus, sustentada pela caridade que a une ao Filho, pela fé de que Deus é sempre amor e pela esperança da ressurreição que Ele prometera.


A perplexidade refere-se ao tipo de formação que talvez alguns tenham recebido. Terá ela sido verdadeiramente católica, ou traz resquícios da tal teologia retributiva que reduz nosso relacionamento com Deus ao “dai-e-dar-se-vos-á”, típico de algumas visões não católicas? Será que estamos ensinando que tudo o que damos a Deus e o que “fazemos por Ele” tem como base essencial a gratuidade do amor?


Será que estamos ensinando que o amor é, por essência, gratuito e que, ao nos entregarmos a Deus, ao servi-Lo, ao devolver o tributo, ao nos consagrarmos não temos nenhuma garantia de que as coisas vão ser como queremos ou pensamos que seriam? Será que deixamos claro que Deus, longe de ser um investimento de renda fixa, com retorno garantido, é Amor que corre todos os riscos por nós? Será que ensinamos que Deus não dá nenhuma garantia de retorno como nós pensamos que Ele deveria dar?



Ou, talvez, estejamos ensinando – e crendo! – que, se eu der dinheiro à paróquia Deus me dará o dobro; se eu servir à Igreja, Deus me servirá; se eu fizer tudo “certinho” Deus vai fazer com que tudo dê “certo” comigo e com os meus; se eu consagrar minha vida a Deus, tenho garantia de libertação e santidade, em uma negociação infindável de fazer inveja ao título mais promissor do mercado.



Ao olhar a vida dos santos, de Maria e do próprio Jesus, qualquer um ficaria facilmente desencantado com as ideias retributivas que empeçonham a mente de um católico, impedindo-o de ter a mente de Cristo. Tome-se, por exemplo, São Paulo: perseguições, apedrejamentos, naufrágios, falatórios, julgamentos, calúnias, prisões e morte. São Pedro não será muito diferente! Nem Jesus. Nem Maria. Nem Madre Teresa de Calcutá. Nem João Paulo II.



Alguém tem que voltar a ensinar que o amor a Deus, para ser amor, precisa ser absolutamente gratuito, sem nenhuma garantia de retorno. Pelo menos, não na nossa moeda, não na nossa medida.  O “dai e dar-se-vos-á”, a “medida boa, cheia, recalcada, transbordante” são um outro câmbio, uma outra moeda, a moeda do céu, que é sempre amor.



Pergunta para reflexão: Diante deste revelação, como será agora sua oração diante de Deus e de sua santíssima vontade? Como você agora ensinará aos seus mais próximos?


Maria Emmir Oquendo Nogueira - Cofundadora da Comunidade Católica Shalom



FONTE:http://www.comshalom.org/deus-ou-investimento-de-renda-fixa/
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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